domingo, 24 de outubro de 2010

Mario Vargas Llosa

    E pr'aqueles que esperam um super comentário cult sobre o Mario, ha, se foderam. hehehe. Só quero fazer um texto amoroso sobre a minha relação com os seus romances.

    Tudo começou (há um tempo atrás na ilha do soooool (não consigo deixar as referências culturais imbecis de lado)) ainda na facs, no curso de América Independente com o Julio. Curso que abandonei num primeiro momento, por achar inflado de datas e fatos, não tive a paciência necessária de esperar a segunda aula e fui fazer Maria Lygia. Não me arrependo, ela foi um grande amor e eu ralei bastante no curso. Mas o bom filho a casa torna e eu voltei pro Julito, na versão 2 do mesmo curso.

    Trabalho final: uma resenha de um romance latino-americano. Oh Cristo, até hoje eu não sei bem o que é uma resenha e nem o que rola aqui nos países vizinhos. Da lista disponível, fiz uma escolha nerd idiota, escolhi o preferido do professor.

    Primeiro selecionei 2: "A cidade os cachorros" e "Santa Evita". O queridinho do prof e o outro por ser uma menina. Mas a Evita estava tão cara que levei o livro mais moleque. Impressionantemente bem escrito. Mesmo q eu não tivesse gostado propriamente da história, era tão criativa a maneira de construir o romance, trocando de narrador a cada capítulo; eram as frases tão bem feitas que eu me apaixonei pelo cara. Pelo cara e pelo prof, claro! Resultado: tirei 9,5 no trabalho! Gracias!

    A partir dái, achei que precisava ler outro e outro e mais outro. Continuei com "Travessuras da Menina Má", que cimentou minha relação com o Mario. Os traços biográficos presentes nas obras me cativava ainda mais, nada mais "eu" do que um peruano que queria morar em Paris; mesmo a sociedade peruana dizia muitas coisas sobre a minha realidade, e o garoto apaixonadinho ainda mais.

    Li na sequência "Tia Julia e o escrevinhador" e esse se tornou o meu livro preferido dele, o romance misturado com capítulos de radionovela me deixaram absolutamente encantada, casar com a tia, ainda mais. E além disso, tudo acaba né, pra variar.

    Conheci uma outra fã do cara e aí lemos "Elogio da Madrasta", surpreendente! E a continuação "Os Cadernos de Dom Rigoberto", rigolant! E pra continuar lendo, engatei "Pantaleão e as Visitadoras" que me arrancou gargalhadas além de fatos inteligentemente caçoados como a adoração de um menino crucificado. Já "Quem matou Palomino Molero?" não achei dos melhores, mas já estou com a lista de próximos.

   Sei que depois de tudo isso, abri o site do ig numa bela manhã de sol, rss, e lá estava o cara, cabelos brancos mas ainda posando de gatinho, com o Nobel nas costas! Quase saí cantando "Por una cabeza", porque me senti uma apostadora de corrida de cavalos, acertei o cara certo! Quase fui também, correndo e gritando pro Peru, comemorar com a galera, algo que me causou tanta felicidade como uma Copa do Mundo, só que com muito mais intensidade.

   Depois, sessão de autógrafos, havia uma militante infiltrada na maldita Porto Alegre, mas era agente dupla e conseguiu o autógrafo apenas para si mesma. Veí, só pra desabafar: Quem foi que falou que Porto Alegre é mais culthiiiii do que São Paulo? Não entendi ainda porque ele não veio pra USP que é muito mais fodona! HOHO

   Mas uma coisa é certa: mesmo que eu resolva ser fã do cara que revira o lixo da minha rua, no exato momento em que eu quiser um autógrafo, ele recusará.

   Resumindo: Mesmo que os idiotas do Nobel tenham escolhido motivos políticos para justificar o prêmio, o Mario tem talento de sobra para merecê-lo! E como disse o Garcia Marquez, (que também amo) eles agora estão quites, uma cantada na mulher alheia, um soco e um Nobel pra cada lado!

Cara Nova

     Não sei por que minha relação com esse blog é tão distante. Claro que eu cobro muito de mim mesma e tenho vergonha de publicar qualquer bobagem. Mas além disso, por mais que eu tente, não consigo emular continuidade. Sou obrigada a mudar o título do blog a cada longa estiagem, já que "tout s'en va, tout se meurt" como dizia um consigniano meu, Charles Aznavour. Ele sabe bem, como geminiano, que tudo muda e cadê meus 20 anos?

    Outra coisa a se dizer é que desde o primeiro blog lá pelos idos de 2000 (há 10 anos, direto do túnel do tempo!) até meu jeito de escrever mudou, mas o interessante é que ele não teve um ciclo evolutivo, mas involutivo, talvez imaginem que seja um dos males da internet, mas não; passei a apreciar (a dissertação de mestrado da Regina Dantas, profa do french) a idéia de tentar reproduzir, as vezes, a oralidade na escrita. E se você não é Nobel de Literatura, isso fode seu texto.

     Enfim, hoje o blog muda de vedette para a "nova onda do imperador", ou os livros ao fundo. Isso significa que farei resenhas? Óbvio que não, o Julio já faz isso enormemente bem. O novo fundo tem a ver com a minha antiga e nova profissão. Sou historiadora, por incrível que pareça, e agora estou estudando conservação e restauro de papel, mas também não falarei sobre isso aqui. Vou continuar falando sobre qualquer coisa que me venha a cabeça, sem ordem, nem nexo, mas sempre mantendo as paixões, passageiras ou não, que marcam a minha personalidade.

domingo, 18 de abril de 2010

So in Love - Cole Porter

Serei obrigada a postar essa música do Cole Porter aqui, inclusive com o trechinho do filme De-Lovely, porque é a coisa mais fofa de todo o universo! Quem sabe um dia eu consiga cantá-la?!

O detalhe intrigante de ultimamente é que eu viro pro lado e tropeço na Lara Fabian. Ela é a moça que está cantando no dueto, reconheci pelos olhos de cigana oblíqua e dissimulada! hehehe





Strange dear, but true dear,
When I'm close to you, dear,
The stars fill the sky,
So in love with you am I.
Even without you,
My arms fold about you,
You know darling why,
So in love with you am I.
In love with the night mysterious,
The night when you first were there,
In love with my joy delirious,
When I knew that you could care,
So taunt me, and hurt me,
Deceive me, desert me,
I'm yours, till I die.....So in love.... So in love....
So in love with you, my love... am I....

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Des Femmes

Loucura ou não, sempre tive ídolas mulheres. As vezes eu faço um grande esforço de memória pra lembrar quem foi a primeira dessas mulheres. Segundo o Freud, foi a minha mãe, é claro. Depois dela deve ter sido a Nonna querida. E depois? Queimo alguns neurônios e chego talvez na Tereza Rachel no papel de Francesca Ferreto. O q me encantava nela? Uma beleza exótica, um olhar vesgo (Q), um cabelo ruivo, uma voz aguda de doer os ouvidos e escândalos deliciosos? Uma aparição emocionante no último capítulo, quando ela voltava das cinzas? Mistério? Uma velha linda e apaixonante! rssss

Depois que outras? Zaza e Zizi em "O fim do mundo"? Pq irmãs cajazeiras me exerciam uma influência esquisita? Um misto de relgiosidade e devassidão que atrapalhavam meus pensamentos. Claro que depois disso, me converti e cri no evangelho! Me apaixonei perdidamente por Santa Clara, linda, loira de olhos azuis, tão santa, pura, casta e apaixonada pelo São Francisco! Ahhh, mas tinha q ter um deslize! Não sei se isso me passou desapercebido ou não (claro q não). Fato é que eu queria ser freira a todo custo! Clarissa no começo, é óbvio, mas a clausura me assustou um pouco então relaxei um pouco a severidade da santidade e podia até mesmo cogitar as Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, afinal de contas, nesta congregação eu tinha uma coleçãozinha de ídolas.

A Irmã Irene foi a primeira, tão bonitinha, um sorriso doce, uma voz de fada... aiii era minha preferida. Chorei hasta la muerte quando ela trocou de paróquia. Depois veio a Irmã Dolores, setenta anos e lá vai fumaça, um cabelo bem branquinho, alta, já tinha sido a madre superiora (morre), e era um luxo só com o sotaquinho português da Ilha da Madeira. Pra ela q eu deixei um bilhetinho no banco da Igreja : Quero ser freira! Aloka. Eu tinha alguma noção do que era aquilo? Acho q nenhuma! Mas meu coração batia tão forte que era quase um namoro! E ela veio toda fofa dizendo q eu tinha vocação! Nhuuuuuuuu! Coitada, lamento tê-la desapontado! Mas enfim, certa vez ela tirou o véu na minha frente e eu fiquei de boca aberta! Aquilo tudo parecia muito mágico pra mim!

Nesse momento vieram os filmes todos de freiras. A Woopi Goldberg não chegou a ser uma ídola, mas a madre superiora é claro que sim! Quem não era perdidamente apaixonada pela Maggie Smith sorrindo vestidinha de freira? E quem não queria ser a novicinha Mary Roberts? Ou ainda quem não implorou pra Maggie beijar o frei superior lá no segundo filme da série? Claro que eu sabia as músicas e os passos de cor e salteado! "I will follow hiiiimmmmmmmm".

Ao mesmo tempo, vi "Pássaros Feridos" e achei o mááááximo aquele padre, o Ralf de Bricassard, mas ele não vem ao caso! auhauahuahauahua. A não ser a menina q se apaixonava por ele aos 11 anos de idade. "Padre, estou sangrando, vou morrer, comofas?" "Vc ta menstruada, fia!" kkkkkkkkkkk

Depois teve um filme da videoteca Folha (Q) que já nao me lembro como chamava, algo como Rouxinol, sei lá. E uma freirinha se apaixonava pelo cara e ele casava com outra. Ela ia se aconselhar ou pirar junto com a Irmã Ágata q tinha ficado louca de amor por um homem.
- Ágataaaa
- So much Sun!
Aaaaaaaaaaaaaaa!

Na sequência lógica, outra ídola apareceu radiante. Julie Andrews no papel de "A Noviça Rebelde". Tão linda, perfeita, sopraninha... rsss. "The hiiiiiilllllllss are aliveeeeeeee with the sound of muuuuuusic"
Até que um dia eu tive a ilusão de ter encontrado o meu Capitain Von Trapp, que mais parecia um trapo!

Mas nunca deixei de ter ídolas. Torci como louca para que a Fernanda Montenegro ganhasse o Oscar. E depois descobri a França e me rendi aos seus encantos, a incomparável Edith Piaf e a deliciosa Mireille Mathieu. Ambas inebriantes. Meu objetivo de vida mudou de freira pra cantora! Se antes eu colocava uma toalha na cabeça ajeitando da melhor maneira possível o véu, agora eu colocava um vestido preto, passsava um batom vermelho a la anos 50 e gravava minhas próprias versões de "Padam" e "L'accordéoniste". E ao mesmo tempo estragava todo o meu francês parisiense para fazê-lo virar marselhês!

Além dessa lista, Meryl Streep, Fanny Ardant, entre outras vieram para coroar esse meu Olimpo. Todas foram mulheres incríveis e que mecheram profundamente no meu modo de ver o mundo. Pq não tirar o chapéu para todas elas? Voilà minha homenagem atrasadíssima para o dia internacional das mulheres. rsss

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Alice e o Cavaleiro Branco

"Ao cantar as últimas palavras da balada, o Cavaleiro empunhou as rédeas e virou a cabeça do seu cavalo para a estrada pela qual tinham vindo. "Você só precisa andar alguns metros", disse, "morro abaixo e transpor aquele riachinho, e então será uma Rainha... Mas antes vai ficar e me ver partir?" acrescentou, quando Alice se virou muito animada para a direção que ele apontara. "Não vou demorar. Vai esperar e acenar com seu lenço quando eu chegar àquela curva da estrada? Acho que isso me daria coragem, sabe."
"Claro que vou esperar, disse Alice, "e muito obrigada por ter vindo tão longe... e pela canção... gostei muito dela."
"Espero", disse o Cavaleiro, sem muita convicção. "Mas não chorou tanto quanto pensei que choraria."
Assim, apertaram-se as mãoes e em seguida o Cavaleiro rumou lentamente para o interior do bosque. "Não vou demorar muito para vê-lo cair, tenho certeza", Alice disse de si para si. "Pronto! Bem de ponta-cabeça, como de costume! No entanto, monta de novo com muita facilidade... isso porque tem tantas coisas penduradas em torno do cavalo..." Assim ficou, falando consigo mesmo, enquanto olhava o cavalo a marchar pachorrento pela estrada e o Cavaleiro a levar trambolhões, primeiro de um lado, depois do outro. Após o quarto ou quinto tombo ele chegou à curva, e então ela lhe acenou com seu lenço e esperou até que ele sumisse de vista.
"Espero que isso o tenha encorajado", disse, enquanto se virava para correr morro abaixo. "E agora para o último riacho, e ser uma Rainha! Como soa grandioso!" Alguns poucos passos a levaram à beira do riacho. "Finalmente a Oitava Casa!" gritou, enquanto o transpunha num salto, e se jogou para descansar num gramado macio como musgo, com pequenos canteiros de flores salpicados aqui e ali. "Oh, como estou contente por estar aqui! E o que é isso na minha cabela?" exclamou assombrada ao erguer as mãos e pegar algo muito pesado e bem ajustado em volta da sua cabeça.
"Mas como isso pode ter vindo parar aqui sem que eu percebesse?" perguntou-se, enquanto a erguia e a punha no colo para tentar entender como aquilo fora possível. Era uma coroa de ouro."

Esta cena, em que Carroll pretende claramente descrever como espera que Alice vá se sentir depois que crescer e lhe disser adeus, é um dos episódios pungentes notáveis da literatura inglesa. "O amor efêmero que segreda através desta cena é, portanto, complexo e paradoxal: é um amor entre uma criança toda potencial, liberdade fluxo e crescimento e um homem todo impotência, aprisionamento, torpor e declínio"

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Meu bem querer" pra provar que eu e o Chico somos um... caso sério!

"Quando o meu bem querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais

E quando o seu bem querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais

E quando o meu bem querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais

E quando o seu bem querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais

E quando o meu bem querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais

E quando o seu bem querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás"

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Piaf, Aznavour et Mimi et les souvenirs que je désire.

A Piaf foi a única artista até hoje (além do Cauby) que me deu alguma atenção como fã alucinada!!!!

A tempos atrás, eu fiquei absolutamente viciada na música "Mariage" e coloquei ela no meu mp3, assim como quase TODA a discografia. No dia seguinte, eu peguei a lotação rumo a faculdade e pensei: "Nossa como eu vou encontrar essa música agora, perdida entre milhões?"

Liguei o mp3 e ele ligou exatamente em Mariage! O numero da música e o total de músicas na pasta formaram a junção 1963, o ano da morte. (19 de 63).
E o pause: 11 com o tempo da música q apareceu 00:04 somaram 15, o ano q ela nasceu!

Pode ser a maior piração, bem ao estilo do filme "O número 23", mas eu me senti tão feliz, como se ela tivesse reconhecido o meu amor por ela! Finalmente algum artista que tem um carinho pelos fãs. Claro, porque em vida não tem como o artista saber quem são os fãs número 1. Entra no camarim quem a secretária achar mais bonito, ou quem conhece alguém que conhece alguém.

O fato é que até hoje tive esse Milagre Piafiano, que me fez quase morrer de emoção e, além disso, pegar a mão do Cauby no show do Bar Brahma... e ele até apertou, ficou um tempão de mão dada comigo. *-*

Mas as vezes acho que mesmo se eu virar fã do Zé da Esquina, nem a meia furada dele vou conseguir.

Ontem fui ao show do Aznavour e estava crente que ia realizar o maior sonho da minha vida: PEGAR O FAMIGERADO LENÇO BORDADO!

Eu estava sentada sem ninguém na minha frente, além dele mesmo e da banda! Claro que isso me custou bem caro. Ganhei de Natal do meu namorado que queria em troca, nada mais nada menos que o “L’Intégral” do Jacques Brel. Sim, nós temos essa divergência. Para ele o Brel é o melhor compositor de todos os tempos e pra mim esse cara é o Aznavour. Entramos sempre em longas discussões sobre quem se pareceria mais com o Chico Buarque. Bom, porque nisso concordamos que esse sim, é o melhor do mundo. Azna e Brel disputam arduamente o segundo lugar. E vale tudo na disputa, inclusive ele dizer que o Brel é o Chico e o Azna é o Roberto Carlos. Aaaaaaaaaaaaaaaa
Tudo bem que eu amo o Roberto, mas o Azna não faz só musiquinhas “eu te amo”. Pô, ele tem letras inteligentíssimas ao passo que o Brel fica cantando rosi rosi rosá! Auhauahuahauhauahua

Enfim, eu tb adoro o Brel e isso não vem ao caso. O fato é que a discografia do homem me custou a pele da bunda e o primeiríssimo lugar no show, idem. Tudo isso tinha um propósito: pegar o lenço e ser a pessoa mais feliz do mundo por toda a eternidade, amém!

Eu estava exatamente na esquerda, no lugar onde ele sempre joga o lenço. E ele me fez o favor de inovar e jogar o lenço pelo meio do palco. O lenço fez uma trajetória no ar e caiu entre o palco e o chão, num buraco que ia dar sabe-se lá onde. De nada adiantou correr com o coração pulando da boca. Um cara que já havia pegado o lenço em Montreal implorou pro funcionário ir buscar e ganhou a drogaaaaaaaa do lenço pela segunda vez! Eu fiquei tão revoltada!!! O lenço era meu por direito! (claro.... de onde tirei isso?) Tenho certeza que o cara e a namorada dele juntos não sabem nem um décimo das músicas que eu sei do Azna. Devia ter um quiz pra ganhar o lenço, ou melhor, uma disputa de karaokê, onde tudo contaria pontos, letra, pronúnica, afinação e inclusive as interpretações. Sim, pq eu sei de antemão, cada gesto que ele vai fazer, cada suspiro, cada tremidinha de mão, cada coreografia! Da tremidinha de mão e jogadinha de "Emmenez-moi", ao passinho de costas com a mão esquerda pro alto de “Les comedients”. Da pintura de "La bohème" ao desmunhecar de “Comme ils disent”. Tudo o que não pode faltar em um bom cantor francês. Tudo isso eu poderia reproduzir como merecedora do título de fã número 1!

Massss, não satisfeita, fui tentar entrar no camarim! Mas é lógico que ele só recebe as pessoas que têm Q.I. Porque ele simplesmente não tem como saber que eu, perdida na multidão com meus 1,58 sou perdidamente apaixonada por ele. Quem sabe quando ele morrer ele veja isso. Até lá, troquei de ídolo! (que calúnia). Mas pelo menos ele olhou pra mim várias vezes durante o show e viu que eu sabia cada palavra. Ahhhh ele viu!
Ao tentar entrar no camarim, topei com ninguém mais ninguém menos que um exemplar da espécie “Poladian”, acredito que a esposa dele.

Então, num momento de desespero pedi: “Poxa ele não tem um email?” É claro que eu não estava me referindo ao email pessoal, não sou tão mongolóide. Mas a mulher que se apresentou como Poladian fez questão de rir da minha cara e me oferecer o celular dele inclusive. Obrigada!

Expliquei que muitos artistas têm um email para fãs e que faltava isso no site do Aznavour. Esta aí a Mimi que não me deixa mentir! Tudo bem que eu já mandei 114 mil emails e até agora nem um “Merci pour le caresse” pra contar a história.

Dito isso a Poladian pediu pra mandar um e-mail pra ela, que ela tentaria convencer o Azna a fazer o tal email. Ela não sabe pra quem ela disse isso. HOHO
Aproveitando o ensejooooooooooooo, eu, que não sou boba nem nada, joguei: “Já que vc é a Poladian, poxaaa traz a Mireille Mathieu pro Brasil!!!!!!!”

E sabem o que ela respondeu: ME CONVENÇA!

HAAAAAAAAAA

Falou isso pra pessoa certa meo beihnnnn! Vou mandar um e-mail por dia pra essa mulher e um por dia pra Mimi até ela vir cantar aqui. Elas não terão um só dia de paz!

Sublimei a falta do lenço e agora o objetivo da minha vida será trazer a Mimi! E aí sim, eles vão saber tanto quem eu sou, depois de tantos e-mails, que eu vou entrar de VIP no camarim, e beijar cada centímetro (do corpo, Q) da mão dessa mulher!!!

Informações importantes para quem quiser entrar na luta comigo.

E-mail do Poladian: imprensa@poladian.com.br
E-mail da Mimi: MireilleMATHIEU@MireilleMathieu.com

domingo, 16 de agosto de 2009

Ma première robe de scène!

Voilà!!!

Imaginem minha felicidade ao comprar "ma première robe de scène"!

Entro na Gregory - sim me permiti um luxo, mesmo que na promoção - e começo a escolher alguns tubinhos. Várias histórias me vêm a mente.

Quantos anos Édith cantou na rua com qualquer roupa! Mas para apresentar-se no Gerny's lá estava ela as voltas com um vestido que precisava de mangas feitas por ela mesma. Conta a lenda, que no dia do show, na hora do show, ela ainda tricotava, desesperadamente. Um lenço misterioso, de alguma cantora famosa ou de uma qualquer, aparecera para lhe salvar da vergonha. Lenço esse que cairia no fim da música com um gesto típico piafiano, mostrando a humildade da cantora recém saída da rua, "Da rua aos palcos" proclamava Leplée e a fama seria eterna.

Outra mocinha, alguns anos depois, de Avignon a Paris, apresentava-se sempre com o mesmo vestido, que o pai, com muito esforço, por conta de sua numerosa família de 14 crianças, comprou para ela. A filha de seu empresário lhe pergunta: Mireille, pq vc só usa preto?
Na verdade, não era só preto, mas aquele era o único vestido da então também humilde Mireille Mathieu. Envergonhada ela lhe responde: Meu avô morreu a pouco tempo e estou de luto.
A menina chorou desconsolada e a canceriana má se arrependeu de ter enganado a criança. 40 anos mais tarde Cristian Lacroix faria um vestido que lembrava aquele para que ela comemorasse uma carreira tão brilhante.

Com essas histórias na cabeça, lá estava eu, procurando um tubinho preto. Vou cantar "Padam", sucesso da primeira cantora, revisitado pela segunda. Uma responsabilidade enorme para uma primeira apresentação onde escolher o vestido é a menor delas. Quero algo sóbrio como Édith mas com algum glamour Mireilliano. Experimento vários modelos do mesmo tubinho imortalizado por Pierre Cardin! Ah esses franceses viu! Vejo que o modelo que atravessou décadas me cai como uma luva. Quero preto mas nunca consigo fugir do azul. Meu modelo tem a parte superior azul marinho com uma renda brilhante e a parte inferior preta. Puro Luxo! Puro Glam! Puro anos 20!

Saio saltitante uma semana depois com meu 38 apertado para 36! Ma première robe de Scène! Espero que seja tão auspicioso quanto foram para as minhas cantoras preferidas!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Duas Faces ou a Verdadeira Face

"Nossa, Raquel, como vc é organizada", é o que diz sua professora de canto ao ver que vc, do alto da sua paciência inexistente organizou 4 pastas abarrotadas de partituras, sendo 2 iguais só de músicas da Piaf e mais 2 iguais de músicas da Mireille Mathieu, Charles Aznavour e afins. Fora isso há 3 cds com essas mesas músicas gravadas, só pra facilitar o trabalho da mestra de "tirar" as músicas, para que eu, pobre mortal, possa cantá-las.

Que outro aluno dela faria isso? Com certeza nenhum. Afinal de contas ela é uma pianista antes de ser professora de canto, logo ela sabe tirar de ouvido qualquer música da face da terra e ainda por cima abaixar 5 tons para a contralto aqui, certo?

Bom, deveria ser, mas dando aulas de seg a sex das 08:30 as 22:30 e de sábados das 08:00 as 15:00, ssso sem contar os casamentos em que ela toca, eventos evangélicos de todos os tipos e uma família de 4 filhos, não lhe sobra muito tempo para olhar pra porra da pasta que vc levou horas fazendo.

Eu nem sou tão organizada assim. é só entrar no meu quarto e notar sutilmente que é impossível dar um passo sem tropeçar nas milhares de coisas espalhadas pelo chão. "Mãe, cadê aquelas capsulas de brilho pro cabelo da Avon que vc me deu?" 3 dias depois eu encontro a tal caixa no vão entre a cama e a parede presa num dos 5 travesseiros que co-habitam meu leito.

Portanto, não sou o primor da organização e se eu arrumei 4 pastas brilhantemente, isso quer dizer que a música, o canto é a coisa mais importante da minha vida. Logo, não custava dar uma olhadinha pro meu esforço idiota.

As outras pessoas, o que cantam? Oh Deus, eu me pergunto! E a resposta vem tão clara como meus dias favoritos de verão. Uma placa na entrada do prédio anuncia: "Canto Popular e Evangélico". Onde foi parar a divisão tradicional entre Canto Popular e Lírico??? É claro que o resto dos alunos cantam coisinhas como "de Joelhos num sei q lá nas mãos do Olheiro". É tão dificil falar Oleiro? Acho que há uma boa diferença entre olhar e Olaria. Será que é prerrogativa dos católicos pensar? Ora ora que ironia, logo nós que nunca interpretamos a Bíblia.

Maldades a parte, levar a partitura é uma atenção que merece um reconhecimento. Afinal de contas, foram horas de internet pra achar partituras francesas de pessoas desconhecidas. Ou vcs acham que todo mundo conhece Mireille Mathieu? Piaf ainda vá lá, tem filme, até Cassia Eller gravou. Ou pior do que isso, Maysa gravou e ainda tiveram a petulância de imitar a morte do Marcel na minissérie Maysesca da Globo, onde a atriz aparece toda "Marion Cottilard" cantando "Hymne à l'amour", oh pardon, "Hino ao Amor". Mas isso não vem ao caso.

Explicar prum cidadão quem é Mireille Mathieu não é tarefa fácil. Vc ja ouviu Alfa FM? Antena 1? Entao, sabe aquela música "Together we're strong", onde uma voz agudíssima canta um ingles cheio de sotaque? Pois é, essa daí é a famosa Mimi dos anos 80! Ahhh ta, o que mais ela cantou mesmo? Mais um bilhão de versões pra musiquinhas famosas como: "My Way", que diga-se de passagem é francesa e se chama "Comme d'habitude"; "Memory" na versão "Nos souvenirs"; "Love Story" na versão "Une histoire d'amour"; "The winner takes it all" na versão "Bravo tu as gagné" entre outras.

Num mundo globalizado, moderno etc e tal vc realmente acha que algum francês ainda ouve essa mulher de 63 anos? Óbvio que não! Entao achar suas partituras de não-versões tem algum mérito.

Que música vamos tocar hoje? Ah essa! blim blém blom, nao ensaiou é óbvio.

Como passo da voz natural para o falsete? Silêeeeeeencio

Que música vamos cantar no coral? Ah o que vc, acha, Raquel? Euuuuuuuu???

Aih o seu chefe vem te falar de Morricone ou sei la a porra do nome da bixa! Belting é a puta que te pariu!

Preciso se uma professora de canto a altura! Uma contralto por favor, sou preconceituosa!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Cheese ça veut dire Fromage!

Minha vida vai seguindo de livro em livro, de semana em semana, de vocalize em vocalize. Meu consciente cambaleia, mas consegue arrastar sem tanto penar, já que bem abastecido de anti-gripais fora de contextos gripais, e de Chico Buarque que passa a bola meio murcha do seu romance de linhagem para o incontestável García Marquez. Mas Freud está sempre me acenando, como o Dumbledore no filme “Adorável Júlia”, que sempre aparecia nas horas mais desesperadoras para corrigir a atuação da personagem principal na sua vida real, criticando ou aplaudindo, piscando e dando balinhas de limão.

Sim, o Sig vem sempre me lembrar de que o inconsciente ainda dita as regras no mundo da psicanálise e que as minhas angústias inexplicáveis são tão idiotamente explicáveis como o laço no sapato que custei a aprender a fazer.

Depois de uma agradabilíssima conversa no msn, onde eu sonhava em francês com uma Paris tão moderna e conservadora ao mesmo tempo, que me permitiria em pleno século XXI ter um legítimo mordomo francês a quem eu chamaria carinhosamente e plagiadoramente de Mon Jean.
Depois disso e de um trimedal, fui me deitar com a certeza de uma bela noite de sono, que só seria mais reconfortante se o dia seguinte fosse um ensolarado sábado de verão.

5 minutos mais tarde, estava eu na minha garagem, de onde Ana Gabriela, uma contralto com uma tessitura um pouco mais aguda que a minha, me falava, de dentro de seu carrão preto, sobre sua viagem a Las Vegas.

Já não bastava ser contralto e alcançar mais agudos que eu, ela também precisava ter no currículo um intercâmbio, mesmo que fosse no mais execrável dos países, o ultimo da minha lista de desejos.

Sim, prefiro fazer um intercâmbio no Afeganistão, mas um intercâmbio, por favor! “Ei pra que países você já foi” “Não não, eu nunca saí desse buraco”. E de repente você começa a amar tão desesperadoramente o Brasil, que começa a achar que ele é o Paradis do qual falava o Claude na música “Étranger au paradis”, sim porque afinal de contas, isso aqui é o “Pays Bleu”; ou ainda você tem a certeza de que Charles Aznavour falava do Brasil quando dizia “Emmenez-moi au Pays de Merveilles”, porque aqui tem um monte de frutas, praias e soleil a dar com pau.

Então os franceses é que deveriam estar fazendo intercâmbio no Brasil e não o contrário. Você consegue acreditar nisso durante a incrível marca de..... 1 minuto, porque você não consegue parar de se sentir envolvido por essa Minas Gerais metida a besta, porque afinal de contas é queijo que eles fazem né? Cheese qui ça veut dire fromaaaage, voilà MimiMona, une petite sourire, cheeeese.

Acontece que é difícil sorrir quando todo mundo já foi pelo menos pro Paraguai comprar muamba e você ainda está aqui, treinando francês no banho, agradecendo ao público francês por ter vindo ao seu show no Olympia e se desculpando pelo francês rudimentar.

O sonho, ou pesadelo durou uns 2 minutos, a menina abriu a porta do carro, eu sentei e ela ia me contar a emocionante aventura de ter ido a Las Vegas quando ouço um tango ao fundo que nada tem a ver com o espírito atual da tal cidade, é meu celular despertando-me as 6 da manhã, eu que tinha acabado de dormir. Levanto e vou trabalhar, eita vida besta.
"E se de repente a gente não sentisse a dor que a gente finge e sente?"